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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Bordoadas com bandeira feminina


Dezesseis das 2.301 palavras usadas pela presidenta Dilma Rousseff em seu discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, na manhã desta quarta-feira, eram referências diretas ao gênero feminino.

Em sua fala, Dilma não deixou passar batido o fato de ter se tornado, no momento em que subiu à tribuna, a primeira mulher a abrir o Debate Geral da ONU, papel que tradicionalmente cabe ao Brasil. “Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo”, afirmou Dilma, logo na abertura de sua fala. A presidenta se disse “humilde”, mas com “justificado orgulho” pelo que classificou como momento histórico. E recebeu aplausos dos líderes mundiais.

“Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta, que, como eu, nasceram mulher”, acrescentou, antes de dizer que este será o “século das mulheres”.

Não eram apenas formalidades. Antes de entrar em assuntos considerados mais delicados,  Dilma jogou flores à plateia onde se reuniam os chefes de Estado: lembrou que, na língua portuguesa, as palavras  “alma”, “esperança”, “coragem” e “sinceridade”  pertencem ao gênero feminino. Com estas últimas, cavou sua trincheira para emendar o recado para os líderes mundiais: “Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje”, explicou.

Foi quando Dilma deixou de lado as flores e as luvas de pelica e acertou com os dois pés o peito de parte da plateia que a assistia: os países ricos, que segundo ela querem encontrar sozinhos uma saída para a crise que eles mesmos inventaram; a China (que não foi citada), pelo desequilíbrio financeiro patrocinado pela guerra cambial; os ditadores árabes que reprimem manifestações populares em busca de democracia; Israel, este citado com todas as letras, por não compreender que apenas uma Palestina “livre e soberana” poderá estender a “estabilidade política em seu entorno”; e a própria cúpula das Nações Unidas, reivindicando novamente um assento no Conselho de Segurança do órgão. Era o que se esperava dela, que manteve o tom firme, menos emotivo que em outras falas. Se faltaram lágrimas, sobraram aplausos dos colegas que a assistiam em pelo menos quatro oportunidades.

Ao falar da crise financeira mundial, a presidenta emendou. “Nós, mulheres, sabemos, mais que ninguém, que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor”.

Dilma voltaria a conclamar “as mulheres de todo mundo” ao falar sobre as políticas de inclusão de seu governo. Porque, no Brasil, “a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais”. “Nossos programas de distribuição de renda têm nas mães a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos”, completou.

No discurso, houve tempo ainda de felicitar o secretário-geral Ban Ki-Moon “pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas”. Foi o gancho para saudar a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, a ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet.

Dilma citou ainda “as mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras”.

E arrematou: “Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje”.

Como esperado, lembrou o período em que foi torturada na prisão, durante o regime militar, período em que, segundo a presidenta, aprendeu, como mulher – frisou – a valorizar “a democracia, a justiça, os direitos humanos e a liberdade”.

Foi, talvez, a mais esvaziada das suas colocações – já que, na viagem para Nova York, não conseguiu levar na bagagem um argumento sólido para dizer que, com uma Comissão da Verdade de fato, o Brasil já não compactua com seu passado de repressão.

Matheus Pichonelli: Formado em jornalismo e ciências sociais, é subeditor do site de CartaCapital e colaborador da revista desde maio de 2011. Escreve sobre política nacional, cinema e sociedade. Foi repórter do jornal Folha de S.Paulo e do portal iG. Em 2005, publicou o livro de contos 'Diáspora'.

Outras assembleias

As assembleias gerais da ONU acontecem desde 1945, quando foi criada, e foi aberta em 1947 por um diplomata brasileiro durante a primeira sessão especial . Desde então, cabe ao Brasil iniciar os encontros, por ter sido o primeiro membro das Nações Unidas.

Fato inédito na história da comunidade internacional, a presidenta Dilma Rousseff foi a primeira mulher a abrir o Debate Geral da 66ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. 

Assista abaixo o vídeo da abertura com a presidenta Dilma:
 

quinta-feira, 31 de março de 2011

Cientistas elaboram mapa da gravidade da Terra

Yahoo! Notícias – qui, 31 de mar de 2011


A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou, nesta quinta-feira (31), o mapa mais preciso já feito até hoje da gravidade da Terra. As informações foram coletadas durante dois anos pelo satélite Goce. O modelo, chamado de geoide, mostra minunciosamente que a Terra não é completamente redonda.

Veja como é a superfície da Terra considerando a gravidade sem a ação de marés e de correntes oceânicas: 

O satélite Goce foi lançado em março de 2009 e já recolheu mais de 12 meses de dados sobre a gravidade. De acordo com a Esa, essas informações são essenciais para medir a movimentação dos oceanos, a mudança do nível do mar e a dinâmica do gelo – e para entender como são afetados pelas mudanças climáticas.

A Esa também explica que os dados podem ajudar a entender mais profundamente os processos que causam terremotos, como o evento que assolou o 
Japão no dia 11 de março. Isso porque os terremotos criam “rastros” na gravidade, o que poderia ser usado para entender o processo que conduz catástrofes naturais e, assim, prevê-los.

A ideia dos pesquisadores da Esa é continuar medindo a gravidade até o final de 2012. O satélite Goce, responsável pelos dados, pesa uma tonelada e orbita a baixa altitude. Ele usa um equipamente específico para medir a gravidade.
Fonte: Yahoo

quarta-feira, 2 de março de 2011

FSM está no último vagão do trem

Samir Amin, economista egípcio
Parece difícil concluir que no transcurso dos dez anos desde seu nascimento, os fóruns sociais tenham conseguido progressos em sua capacidade de mobilizar os principais movimentos em luta no ritmo exigido pela urgência dos desafios. Apesar dos avanços, os fóruns sociais me parecem ter ficado no fim da fila do trem, sempre em atraso com respeito aos avanços registrados no campo das lutas. Esta constatação, mesmo que possa parecer dura, não significa que a existência do Fórum Social Mundial seja um fato irrelevante.

Samir Amim – Rebelión
As redes do Fórum do Terceiro Mundo e do Fórum Mundial das Alternativas, em associação com CODESRIA e ENDA Terceiro Mundo, apoiados por Transform-Europe, Action Aid e South South People’s Solidarity Network, estiveram visivelmente mais presentes e ativas na edição Dakar 2011 do que em edições anteriores do FSM.
A participação da Ásia e da África, presentes nas mesas redondas e conferências organizadas pelas instituições e redes anteriormente citados, tornou possível sem dúvida a reunião de grande maioria de africanos e asiáticos que participaram do FSM Dakar 2011. Um bom número de participantes assistiu a estas mesas redondas e conferências (mais de 200 de forma contínua), durante quatro jornadas consecutivas, das 9 da manhã às 7 da tarde. Os participantes da América Latina e Europa também estiveram presentes e ativos no transcurso destas quatro jornadas. A qualidade e o nível das intervenções foram formidáveis.
É unânime a opinião de que a avaliação do FSM deveria, em primeiro lugar, apontar para a questão dos avanços políticos do Fórum, sem que isso diminua de maneira alguma a importância de questões relacionadas com a organização e a logística.
A principal questão política é a seguinte: o avanço em termos políticos entre uma edição do FSM e outra se detecta em função da capacidade política de mobilizar as principais forças em luta e que participam ativamente na transformação do mundo, construindo “outro mundo” melhor.
Em minha apreciação pessoal, todos deveríamos fazer um exercício de modéstia. As principais forças envolvidas nas grandes lutas de nosso tempo estão presentes nos fóruns sociais. A título de exemplo ilustrativo, podemos citar os casos da Tunísia e do Egito, onde gigantescos movimentos populares têm estado na vanguarda da cena política nestes países, enquanto em Dakar se desenvolvia o FSM. Poucas das organizações e redes que desempenharam um papel decisivo no Egito e na Tunísia tinham ouvido falar dos fóruns sociais. Com certeza poderíamos multiplicar este exemplo em cada um dos continentes do planeta. Sem deixar lugar para dúvidas, estes movimentos em luta encontraram um eco entusiasta em muitos participantes do Fórum Social, como assim testemunham as ovações dadas durante o encontro para os povos egípcio e tunisiano.
Parece difícil concluir que no transcurso dos dez anos desde seu nascimento, os fóruns sociais tenham conseguido progressos em sua capacidade de mobilizar os principais movimentos em luta no ritmo exigido pela urgência dos desafios. Apesar dos avanços, os fóruns sociais me parecem ter ficado no fim da fila do trem, sempre em atraso com respeito aos avanços registrados no campo das lutas.
Esta constatação, mesmo que possa parecer dura, não significa que a existência do Fórum Social Mundial seja um fato irrelevante. Somente o fato de concentrar em escala mundial uma série de movimentos (apesar de não serem os movimentos mais ativos no terreno) é positivo, já que não há muitas outras ocasiões similares. Considero que os movimentos que participam nos FSM são perfeitamente legítimos por sua luta em defesa dos direitos democráticos dos trabalhadores, das mulheres dos povos, assim como de outro modelo de desenvolvimento que respeite à natureza; e isto apesar de que os movimentos estão cada vez mais fragmentados. No entanto, creio que se progrediu na tomada de consciência de que devem ser construídas convergências, na perspectiva de dar ao movimento em seu conjunto uma estratégia de ação eficaz. O FSM de Dakar me parece, desde esta perspectiva, ter se somado a este avanço.
Provavelmente, uma das principais razões que explicam a fraca presença dos grandes movimentos em luta é financeira. A participação no Fórum Social Mundial é cara. As ONGs, que frequentemente dispõe de importantes recursos postos à sua disposição pelas agências internacionais e organismos de cooperação dos países ricos, estão, consequentemente, sobre representadas em comparação com outras organizações.
As questões organizativas e logísticas são importantes e as deficiências registradas neste plano não devem ser excluídas da avaliação. Neste plano, me parece que o FSM Dakar 2011 não foi “pior” organizado que os anteriores, levando em conta que o orçamento recolhido para sua realização (e bravo por Taoufik tê-lo conseguido, pelos esforços incríveis que tornaram isso possível) foi muito inferior a qualquer dos gastos dos fóruns anteriores.
Detenho-me aqui para felicitar os comitês organizadores, o senegalês e o africano. De fato, me parece que este fórum foi menos deficiente no plano organizativo que outros, realizados em países com melhores condições. Também agradeço à Universidade Cheick Anta Diop, de Dakar, e ao governo do Senegal, que contribuíram amplamente para facilitar nossa tarefa.
A marcha inaugural em Dakar contou com cerca de 70 mil participantes (estimativa da polícia, raramente generosa neste ponto), muito mais do que o previsto.
Apesar desta afluência de gente, tenho que dizer que ao menos no que concerne às atividades organizadas por nossas redes “aglutinadas”, como se denomina na linguagem do Fórum Social Mundial, a organização foi perfeita. Tivemos 36 horas ininterruptas de debate (com assistência majoritária de participantes da África e da Ásia) sem contratempos, todos os debates nos mesmos espaços bem equipados e assistidos por um serviço de tradução que não falhou (muito obrigado, Babels). A realização do Fórum em um mesmo lugar, a Universidade, permitiu evitar os problemas verificados em outros FSMs, dispersos na periferia e que impunham grandes deslocamentos. Obrigado a Dakar, cidade menos opulenta que as outras onde o FSM ocorreu.
Samir Amin é economista egípcio, marxista, diretor do Forum do Terceiro Mundo, uma associação internacional formada por intelectuais da África, Ásia e América Latina, destinada a fortalecer os esforços intelectuais e os laços entre os países do Terceiro Mundo, com sede em Dakar.
Tradução: Katarina Peixoto

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tecnologia que auxilia aos atletas é considerada doping


Na corrida da ciência para aulxiliar o ser humano a desempenhar melhor seu papel no cotidiano evitando máximos esforços físicos para evitar lesões e desgastes do corpo, foi criado o mais novo tênis que proporciona um mais velocidade e saltos mais altos. É o Athletic Propulsion Labs Concept 1, ou APL.

A Athletic Propulsion Labs sediada em Los Angeles, EUA, fundada em 2009 pelos gêmeos Adam e Ryan Goldston (ex-jogadores de basquete e futebol americano da University of Southern California), é dedicada ao fornecimento de calçados de elevado desempenho atlético e produtos exclusivos de vestiário

Tudo isso causou estardalhaço na Liga Americana de Basquete (NBA) que baniu o uso do tênis, alegando doping de vestuário. Pois, qualquer substância ou dispositivo que dê vantagens competitivas ao atleta, não é permitido pela liga.

Os rapazes lucraram bastante depois que a NBA baniu sua invenção, auxiliando na publicidade e aumentando a busca pelo produto. De um jeito ou de outro, a tecnologia sempre andará ao nosso lado, permitida ou não nas competições, auxiliando o ser humano em sua constante evolução.

Só espero que os nossos atletas brasileiros de basquete, vôlei e futebol não comecem a usar isso por aqui também. Os cartolas já nem gostam muito de aparecer...

Segue abaixo matéria sobre o produto, sua tecnologia e a sanção da NBA:

Como funciona o APL, tênis banido pela NBA

Veja em maiores detalhes de como o tênis funciona e os motivos que levaram a NBA a bani-lo da temporada 2010-2011.


(Fonte da imagem: Athletic Propulsion Labs)
Os gêmeos Adam e Ryan Goldston agitaram o mundo dos esportes com o tênis Athletic Propulsion Labs Concept 1, também conhecido como APL. Banido pela NBA na temporada 2010-2011, o revolucionário calçado promete melhorar o desempenho dos atletas, fazendo com eles pulem mais alto e também corram mais rápido, e é justamente esse o problema.

O APL não foi o primeiro tênis a ser banido das quadras pela NBA. Há exatos 25 anos a liga colocou o astro Michael Jordan (que na época estava com a carreira em ascensão) contra a parede pelo simples fato de ele usar a primeira edição do Air Jordan em quadra. O motivo da encrenca? As cores do tênis eram consideradas muito chamativas para a época.

Com tantos avanços tecnológicos acontecendo nos últimos anos estava mesmo demorando para que as novidades começassem a interferir nos esportes. Se antes eram molas para amortecimento e sistema de ventilação para os pés, agora os tênis prometem melhorar o salto dos atletas. Mas afinal, será que o APL é mesmo tão fantástico que merece estar na lista negra da NBA?

O tênis

A ideia do Athletic Propulsion Labs Concept 1 é melhorar o impulso dos atletas, permitindo que elas pulem mais alto fazendo menos esforço. Para isso, o calçado utiliza uma espécie de dispositivo de propulsão, o qual é implantado na parte mais à frente da sola do tênis e é chamado Load ‘N Launch.

(Fonte da imagem: Athletic Propulsion Labs)

Como funciona o dispositivo

O Load ‘N Launch possui basicamente duas fases: a “load”, que acontece quando o dispositivo é comprimido, e a “launch”, quando é descomprimido. Ao iniciar um salto, o atleta aplica força na parte frontal do pé e é nessa ocasião que a fase “load” acontece. Além da força aplicada pela pessoa, o EVA utilizado no revestimento e isolamento do dispositivo exerce ainda mais pressão sobre o Load ‘N Launch, gerando um quantidade enorme de energia.

A fase “launch” então começa liberando a energia gerada através do dispositivo. A reação cria uma espécie de propulsor que melhora o salto da pessoa que está utilizando o tênis. Dessa forma, usando o APL é possível não apenas pular mais alto, mas também correr mais rápido.

O desempenho do tênis é influenciado também pelo peso, condição física, musculatura e habilidade dos atletas. O tênis não faz de você um atleta, ele apenas melhora o desempenho nas atividades realizadas.

Uma característica interessante do APL é que toda essa tecnologia passa praticamente despercebida pelos atletas, pois não é possível sentir absolutamente nada do dispositivo enquanto se usa o tênis, exceto, é claro, pelas melhorias na performance esportiva de quem o usa.

Por que ele foi banido?

Segundo as regras da NBA, qualquer substância ou dispositivo que dê vantagens competitivas a uma atleta é totalmente vetada na liga.

Aos olhos da comissão que avaliou o Athletic Propulsion Labs Concept 1, ele traz muitas vantagens a favor de quem os usa, funcionando como uma espécie de doping pelo vestuário e violando a regra de competitividade.

Dessa forma, quem utilizar o Athletic Propulsion Labs Concept 1 na temporada 2010-2011 da liga poderá ser punido. Ainda não se sabe exatamente qual a penalidade para o uso do APL em jogos oficiais, mas especula-se que o jogador pode simplesmente ser impedido de jogar ou, em casos mais extremos, ser obrigado a pagar multas mais severas.

Embora não possa ser exibido nas quadras pelos astros do basquete norte-americano, o tênis ainda é permitido nas ligas menores, como os famosos campeonatos universitários. O problema vai ser os atletas amadores se acostumarem a jogar com tênis convencionais quando partirem para a liga profissional.

A punição abençoada

O banimento do APL pela NBA está sendo, na verdade, uma benção para os negócios dos gêmeos Goldston. Desde que o tênis foi banido, o número de vendas do calçado só vem aumentando.

Claro que os banner com a frase “Banned by the NBA” (Banido pela NBA) ajudaram bastante na publicidade, mas o volume de pedidos e acesso ao site é tão grande que os servidores caíram várias vezes durante a semana. A mensagem “Because of the NBA ban announcement, we are experiencing an enormous ammount of traffic” (Devido ao anúncio de banimento da NBA, estamos presenciando um tráfego enorme) avisa aos usuários que o site de vendas pode ficar lento e instável.

Além disso, os criadores do tênis “milagroso” estavam oferecendo frete gratuito para qualquer pessoa que comprasse o calçado pela loja virtual. Se a punição da NBA soava como um problema para você, os irmãos Adam e Ryan Goldston tiraram bom proveito da situação.
.....

Não há como evitar que as tecnologias comecem a fazer parte da vida dos atletas. É cada vez maior o número de pesquisadores que dedicam suas carreiras a criar dispositivos e materiais para auxiliar na vida de atletas, sejam eles amadores ou profissionais.

A ideia do APL talvez não seja criar uma competição desleal entre os jogadores, mas sim permitir que as pessoas saltem sem forçar tanto a musculatura e as articulações. A comissão julgadora da NBA, no entanto, não concorda com o uso do tênis na liga.
E você, usuário, acha justo o banimento do Athletic Propulsion Labs Concept 1 da temporada 2010-2011 da liga de basquete mais famosa do mundo? Não deixe enviar seu comentário falando a respeito.

Fonte: Baixaki

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Integração entre as redes da esquerda latino-americana e africana

por Michele Torinelli

Articulação da esquerda latino-americana pela soberania e integração continental inspira movimento similar na África


No último dia do Fórum Social Mundial 2011, ocorreu a atividade promovida pelo Foro de São Paulo (FSP) junto a partidos de esquerda da África do Sul e do Senegal. Além de compartilhar a experiência da iniciativa latino-americana, o seminário deixou clara a intenção de aproximação entre a esquerda dos dois continentes.

Por la gran pátria

Valter Pomar, membro do Partido dos Trabalhadores (PT) e Secretário Executivo do FSP, resumiu o histórico do Foro. Ele acredita que sua atuação, a partir da conjuntura latinoamericana, pode ser dividida em três períodos. De 1990 (ano de fundação do FSP) a 1998, o momento era de hegemonia neoliberal - os movimentos sociais resistiram à tentativa de homogeneização e supressão das lutas sociais no continente.

A partir de 1998, o panorama se modificou: os partidos de esquerda começaram a ganhar eleições presidenciais na AL - o primeiro foi Hugo Chávez, na Venezuela; depois vieram as vitórias no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Nicarágua e El Salvador.

"Esses governos, somados aos de Cuba, Chile, Guatemala, Honduras e República Dominicana, criaram uma situação completamente nova na AL", aponta Pomar, sem deixar de lembrar que países importantes como México, Colômbia e Peru mantiveram governos de direita. Segundo o petista, essa mudança política se traduz em melhoria da vida do povo nos países governados pela esquerda, assim como em democratização, fortalecimento da soberania nacional e avanços na integração regional.

O terceiro momento inicia por volta de 2009. Desde esse ano a esquerda não ganhou nenhum novo governo - inclusive perdeu alguns para a direita. É o caso de Honduras, onde o processo se deu por meio de um golpe, e do Chile, via eleições. "Podemos constatar uma contra-ataque da direita no continente, que conta com o apoio dos governos conservadores europeus e estadunidense", avalia. Ele acredita que, nesse cenário de crise internacional,os EUA buscam retomar sua influência na região.

Na atual conjuntura, são três os objetivos do FSP: manter os espaços conquistados; acelerar o processo de integração regional; e obter novas vitórias. "Mas hoje está difícil avançar, a crise e a militarização geram uma instabilidade muito grande", pondera Pomar.

A estratégia é manter a esquerda no poder nos Estados latinoamericanos já governados por forças progressistas e realizar intercâmbios entre o Foro e a esquerda africana, asiática e europeia. "Intercâmbio porque as realidades são muito diferentes", indica o secretário. Com isso, implementa-se outro objetivo, que é garantir a pluralidade, característica que segundo Pomar explica o êxito do Foro na AL.

África unida

Chris Matlhako compartilhou a experiência da ALEF

Em 1958, o primeiro-ministro de Gana Kwame Nkrumah convocou representantes de 20 Estados da África para um encontro em seu país. Ele acreditava que de nada adiantava a independência de sua nação enquanto os outros países africanos se mantivessem colonizados. Ano passado, foi a segunda vez na história que todas as regiões da África estiveram representadas para debater sua integração. O encontro foi convocado pelo Partido Comunista Sulafricano (SACP, South African Communist Party) e aconteceu em Johanesburgo, em agosto de 2010, reunindo 17 nações africanas.

"O encontro teve como objetivo debater as experiências e desafios da esquerda africana na implementação da democracia participativa, além de fortalecer a ALNEF (Africa Left Network Forum)", explicou Chris Matlhako, integrante do SACP. Ele também é um dos coordenadores da ALNEF - o Fórum Africano da Rede de Esquerda.

Assim como Nkrumah, Mathlako defende que os avanços têm que acontecer no continente todo, ou não se sustentarão. "A ALNEF surge para reunir, além da pluralidade dos partidos de esquerda do continente, os movimentos e organizações sociais. É a nova força", acredita.

No encontro em Johanesburgo, definiu-se que o fórum africano se reunirá anualmente. Foi criada uma secretaria e agendada para fevereiro a primeira atividade setorial: uma conferência com o tema "Mulheres na África". Mathlako enfatiza que a ALNEF quer estreitar o diálogo com o Foro de São Paulo para fortaleçer o apoio mútuo e aproximar as lutas sociais dos dois continentes.

Movimentos sociais definem duas datas de luta comum para 2011

Mobilização em solidariedade às rebeliões no mundo árabe e jornada contra o capitalismo acontecerão em março e outubro, respectivamente

Igor Ojeda, de Dacar (Senegal)

Em um auditório da Universidade de Dacar lotado e em clima de festa pela queda iminente do ditador egípcio Hosni Mubarak, organizações populares de todo o mundo, reunidos na Assembleia dos Movimentos Sociais, definiram nesta quinta-feira (10) duas datas comuns de luta para 2011. No dia 20 de março, está prevista uma mobilização global em solidariedade justamente às rebeliões no mundo árabe. Em 12 de outubro, dia já vinculado à resistência indígena na América Latina, ocorrerá uma jornada global de luta contra o capitalismo.

“A Assembleia dos Movimentos Sociais convoca as forças e atores populares de todos os países a desenvolver duas grandes mobilizações, coordenadas a nível internacional, a participar na emancipação e autodeterminação do povo e fortalecer a luta contra o capitalismo”, diz um trecho da declaração lançada durante a assembleia.

O encontro teve início com a fala e a música de um grupo de cinco cantores senegaleses de hip hop, que discursaram contra os problemas do país, seu presidente e o capitalismo. Em seguida, cantaram músicas de protesto, que foram ovacionadas pela plateia. Alguns minutos depois, chegou ao auditório a notícia equivocada de que o ditador do Egito havia caído, informação que foi corrigida posteriormente. Mesmo assim, a saída de Mubarak em questão de tempo - outra esperança frustrada, já que ele anunciou posteriormente sua permanência - foi muito comemorada pelos movimentos sociais, que aplaudiam e gritavam palavras de ordem em favor da população egípcia.

Um dos integrantes de organizações sociais egípcias presente pediu a palavra para pedir o apoio imediato das forças populares de todo o mundo. “O que está acontecendo não é algo pequeno. É um verdadeiro terremoto. Há exatamente seis dias, eu estava no meio da mobilização na praça Tahrir, no Cairo. O povo mudará a cara feia das ditaduras árabes. O povo egípcio fez um buraco no imperialismo. Provou que é corajoso o suficiente para pagar o preço de sua liberdade”.

Em seguida, o intelectual egípcio Samir Amin subiu ao púlpito para afirmar que a mobilização no seu país é uma revolução democrática. “O povo tem o direito de transformar o sistema econômico, político e social e manter uma política internacional independente”, referindo-se ao alinhamento de Mubarak com os interesses dos Estados Unidos.

Declaração

Além de definir as duas datas de mobilização global conjunta para 2011, a declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais enfatizou a luta dos povos de todos os continentes contra “o domínio do capital, oculto atrás de promessas ilusórias de progresso econômico e estabilidade política”. O texto lembra o 10º aniversário do Fórum Social Mundial e que, na última década, as articulações entre os movimentos resultaram em alguns avanços, especialmente na América Latina. No entanto, o documento chama a atenção que no período, também “testemunhamos a erupção de uma crise sistêmica que se expandiu para crises alimentar, ambiental, financeira e econômica, o que têm levado para um aumento da migração e do deslocamento forçado, da exploração, do nível das dívidas e das desigualdades sociais”.

Nesse sentido, a declaração denuncia o papel desempenhado pelos diversos atores do sistema, como bancos, grande mídia, instituições internacionais e transnacionais. Em relação a essas últimas, o texto alerta para a privatização de serviços públicos e bens comuns, como a água, o ar, a terra, as sementes e os recursos minerais. “As corporações transnacionais promovem guerras por meio de seus contratos com corporações privadas e mercenárias; suas práticas extrativistas põem em perigo a vida e a natureza, expropriando nossa terra e desenvolvendo sementes e alimentos geneticamente modificados, tirando do povo o direito à alimentação e destruindo a biodiversidade”.

Outro ponto que ganhou destaque na declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais foi o tema do clima e das preparações para as cúpulas de Durban (COP-17, a ser realizada em Durban, na África do Sul, no fim de 2011) e Rio + 20, que acontecerá no Rio de Janeiro em maio de 2012. “A mudança climática é um produto do sistema capitalista de produção, distribuição e consumo. As corporações transnacionais instituições financeiras internacionais e governos que os servem não querem reduzir as emissões. Denunciados o ‘capitalismo verde’ e rechaçamos as falsas soluções para a crise climática, como os agrocombustíveis, os transgênicos e mecanismos de mercado de carbono como os REDD, que iludem os pobres com falsas promessas de progresso enquanto se privatiza ou se transforma em commodities as florestas e territórios onde essa população tem vivido por milhares de anos”.

Quando o microfone foi disponibilizado para a participação da plateia, um dos que falaram foi Pablo Solón, embaixador da Bolívia na Organização das Nações Unidas (ONU). Ele garantiu aos movimentos sociais que levará a debate no organismo as conclusões incluídas na declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais.

Declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais

Afirmamos o aporte fundamental da África e de seus povos na construção da civilização humana

FSM Dakar, Senegal, 10 de fevereiro de 2011

Nós, reunidos na Assembleia de Movimentos Sociais, realizada em Dakar durante o Fórum Social Mundial 2001, afirmamos o aporte fundamental da África e de seus povos na construção da civilização humana. Juntos, os povos de todos os continentes enfrentamos lutas onde nos opomos com grande energia à dominação do capital, que se oculta detrás da promessa de progresso econômico do capitalismo e da aparente estabilidade política. A descolonização dos povos oprimidos é um grande desafio para os movimentos sociais do mundo inteiro.

Afirmamos nosso apoio e solidariedade ativa aos povos da Tunísia, do Egito e do mundo árabe que se levantam hoje para reivindicar uma real democracia e construir poder popular. Com suas lutas, eles apontam o caminho a outro mundo, livre da opressão e da exploração.

Reafirmamos enfaticamente nosso apoio aos povos da Costa do Marfim, da África e de todo o mundo em sua luta por uma democracia soberana e participativa. Defendemos o direito à auto-determinação de todos os povos.

No processo do FSM, a Assembleia de Movimentos Sociais é o espaço onde nos reunimos desde nossa diversidade para juntos construir agendas e lutas comuns contra o capitalismo, o patriarcado, o racismo e todo tipo de discriminação.

Em Dakar celebramos os 10 anos do primeiro FSM, realizado em 2001 em Porto Alegre, Brasil. Neste período temos construído uma história e um trabalho comum que permitiu alguns avanços, particularmente na América Latina onde conseguimos frear alianças neoliberais e concretizar alternativas para um desenvolvimento socialmente justo e respeituoso com a Mãe Terra.

Nestes 10 anos, vimos também a eclosão de uma crise sistêmica, expressa na crise alimentar, ambiental, financeira e econômica, que resultou no aumento das migrações e deslocamentos forçados, da exploração, do endividamento, das desigualdades sociais.

Denunciamos o desafio dos agentes do sistema (bancos, transnacionais, conglomerados midiáticos, instituições internacionais etc.) que, em busca do lucro máximo, mantêm com diversas caras sua política intervencionista através de guerras, ocupações militares, supostas missões de ajuda humanitária, criação de bases militares, assalto dos recursos naturais, a exploração dos povos, a manipulação ideológica. Denunciamos também a cooptação que estes agentes exercem através de financiamentos de setores sociais de seu interesse e suas práticas assistencialistas que geram dependência.

O capitalismo destroi a vida cotidiana das pessoas. Porém, a cada dia,nascem múltiplas lutas pela justiça social, para eliminar os efeitos deixados pelo colonialismo e para que todos e todas tenhamos uma qualidade de vida digna. Afirmamos que os povos não devemos seguir pagando por esta crise sistêmica e que não há saída para a crise dentro do sistema capitalista!

Reafirmando a necessidade de construir uma estratégia comum de luta contra o capitalistmo, nós, movimentos sociais:

Lutamos contra as transnacionais porque sustentam o sistema capitalista, privatizam a vida, os serviços públicos, e os bens comuns, como a água, o ar, a terra, as sementes, e os recursos minerais. As transnacionais promovem as guerras através da contratação de empresas militares privadas e mercenários, e da produção de armamentos, reproduzem práticas extrativistas insustentáveis para a vida, tomam de assalto nossas terras e desenvolvem alimentos transgênicos que tiram dos povos o direito à alimentação e eliminam a biodiversidade.

Exigimos a soberania dos povos na definição de nosso modo de vida. Exigimos políticas que protejam as produções locais que dignifiquem as práticas no campo e conservem os valores ancestrais da vida. Denunciamos os tratados neoliberais de livre comércio e exigimos a livre circulação de seres humanos.

Seguimos nos mobilizando pelo cancelamento incondicional da dívida pública de todos os países do Sul. Denunciamos igualmente, nos países do Norte, a utilização da dívida pública para impor aos povos políticas injustas e antissociais.

Mobizemo-nos massivamente durante as reuniões do G8 e do G20 para dizer não às políticas que nos tratam como mercadorias.

Lutamos pela justiça climática e pela soberania alimentar. O aquecimento global é resultado do sistema capitalista de produção, distribuição e consumo. As transnacionais, as instituições financeiras internacionais e governos a seu serviço não querem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Denunciamos o “capitalismo verde” e rechaçamos as falsas soluções à crise climática como os agrocombustíveis, os transgênicos e os mecanismos de mercado de carbono, como o REDD, que iludem as populações empobrecidas com o “progresso”, enquanto privatizam e mercantilizam os bosques e territórios onde viveram milhares de anos.

Defendemos a soberania alimentar e o acordo alcançado na Cúpula dos Povos Contra as Mudanças Climáticas e pelos Direitos da Mãe Terra, realizada em Cochabamba, onde verdadeiras alternativas à crise climática foram construídas com movimentos e organizações sociais e populares de todo o mundo.

Mobilizemos todas e todos, especialmente o continente africano, durante a COP-17 em Durban, África do Sul, e a Rio+20, em 2012, para reafirmar os direitos dos povos e da Mãe Terra e frear o ilegítimo acordo de Cancún.

Defendemos a agricultura camponesa que é uma solução real à crise alimentar e climática e significa também acesso à terra para quem nela vive e trabalha. Por isso chamamos a uma grande mobilização para frear a concentração de terras e apoiar as lutas camponesas locais.

Lutamos para banir a violência contra a mulher que é exercida com regularidade nos territórios ocupados militarmente, porém também contra a violência que sofrem as mulheres quando são criminalizadas por participar ativamente das lutas sociais. Lutamos contra a violência doméstica e sexual que é exercida sobre elas quando são consideradas como objetos ou mercadorias, quando a soberania sobre seus corpos e sua espiritualidade não é reconhecida. Lutamos contra o tráfico de mulheres e crianças.

Defendemos a diversidade sexual, o direito à autodeterminação do gênero, e lutamos contra a homofobia e a violência sexista.

Mobilizemo-nos, todos e todas, unidos, em todas as partes do mundo para banir a violência contra a mulher.

Lutamos pela paz e contra a guerra, o colonialismo, as ocupações e a militarização de nossos territórios. As potências imperialistas utilizam as bases militares para fomentar conflitos, controlar e saquear os recursos naturais, e promover iniciativas antidemocráticas como fizerem com o golpe de Estado em Honduras e com a ocupação militar em Haiti. Promovem guerras e conflitos como fazem no Afeganistão, Iraque, República Democrática do Congo e em vários outros países.

Intensifiquemos a luta contra a repressão dos povos e a criminalização do protesto e fortaleçamos ferramentas de solidariedade entre os povos como o movimento global de boicote, desinvestimentos e sanções contra Israel. Nossa luta se dirige também contra a Otan e pela eliminação de todas as armas nucleares.

Cada uma destas lutas implica uma batalha de idéias, na que não poderemos avançar sem democratizar a comunicação. Afirmamos que é possível construir uma integração de outro tipo, a partir do povo e para os povos, com a participação fundamental dos jovens, mulheres, camponeses e povos originários.

A assembléia dos movimentos sociais convoca as forças e atores populares de todos os países a desenvolver duas ações de mobilização, coordenadas a nível mundial,para contribuir à emancipação e autodeterminação de nossos povos e para reforçar a luta contra o capitalismo.

Inspirados nas lutas do povo da Tunísia e do Egito, chamamos a que o 20 de março seja um dia mundial de solidariedade com o levante do povo árabe e africano que em suas conquistas contribuem às lutas de todos os povos: a resistência do povo palestino e saharauí, as mobilizações européias, asiáticas e africanas contra a dívida e o ajuste estrutural e todos os processos de mudança que se constroem na América Latina.

Convocamos igualmente a um dia de ação global contra o capitalismo: o 12 de outubro, onde, de todas as maneiras possíveis, rechaçaremos este sistema que destrói tudo por onde passa.

Movimentos sociais de todo o mundo, avancemos até a unidade a nível mundial para derrotar o sistema capitalista!

Venceremos!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Nova oportunidade para o FSM

Por Emir Sader

Poucos meses depois da realização do seu primeiro FSM, em janeiro de 2001, o movimento foi atropelado pelos atentados de outubro do mesmo ano e pelas reações norte-americanas. Um movimento que pretendia centrar sua ação nos movimentos sociais, prescindindo das forças politicas e tudo o que estivesse atrelado a ela – partidos, Estados, etc.,etc., a ponto de alguns propalarem “mudar o mundo sem tomar o poder”, enquanto outros subestimavam o papel dos Estados e do imperialismo tradicional. – teve dificuldades de assimilar o papel renovado dos Estados, do imperialismo, da guerra – todos fenômenos vinculados à esfera política.

O movimento conseguiu reagir participando das maiores manifestações jamais existentes, contra a guerra do Iraque. Porém, ao não assumir conscientemente a nova situação internacional, o FSM nem sequer fez balanço dessas gigantescas mobilizações e seguiu seu caminho como se nada tivesse acontecido. Em um mundo em que, nunca como antes, o poder do império, dos Estados nacionais, das guerras, da estratégia, dos partidos políticos, foram assumindo mais claramente ainda sua vigência.

Paralelamente, na América Latina foram surgindo governos eleitos contra o neoliberalismo, que por sua vez reafirmavam o papel dos Estados nacionais, das forças politicas, das estratégias, dos processos de integração regional levados adiante pelos governos.

O novo FSM, realizado pela segunda vez na África, tem uma nova chance de se articular com os processos políticos realmente existentes, com a crise dos regimes políticos do Oriente Médio, que se desenvolve aqui perto, nos países do norte da África.

Para isso teriam que ter sido convidados representantes das forças politicas que protagonizar as imensas manifestações de oposição aos governos ditatoriais da região. Eles poderiam conhecer as experiências latino-americanas diretamente do Evo Morales e do Lula, das delegações dos outros países latino-americanos que levam adiante com sucesso processos de superação do neoliberalismo. Não está claro que representantes estarão presentes da Tunísia, do Marrocos, da Argélia, do Egito, da Jordânia, da Arábia Saudita, entre outros países da região.

Elevado a tema central do FSM, este ganharia uma concreção e uma atualidade que, de outra forma, terá muito mais dificuldades para ter. Deve, também, fazer um balanço da evolução da crise internacional – tema central do FSM anterior, de Belém. Poderia constatar que os países – prioritariamente os do centro do capitalismo, que causaram a crise – que reagiram com politica recessivas, de intermináveis ajustes fiscais, seguem em crise, com desemprego recorde, envoltos nas politicas do FMI que – como nós sabemos – fazem parte da crise e a aprofundam.

Enquanto que os países do Sul do mundo, especialmente os latino-americanos, que reagimos com medidas de reativação econômica, com os Estados atuando para incentivar o desenvolvimento, intensificar as politicas sociais, aumentar o nível de emprego e o poder aquisitivo dos salários durante a crise, saímos dela rapidamente e retomamos nosso ciclo expansivo. Esse justo balanço servirá também para que o FSM se dê conta – os setores que ainda não se deram conta – do papel dos Estado e da esfera politica, articulados com os movimentos populares , na resistência e na superação da crise.

É uma nova oportunidade para que o FSM não fique girando em falso, apoiado em premissas superadas ao longo de toda a década que agora termina, em que passamos da resistência à construção de alternativas, para o que restabelecemos, de outra forma, as relações das lutas sócias com esfera politica e estamos sendo capazes de superar o neoliberalismo – objetivo central FSM, quando aponta para a construção do “outro mundo possível.”

Emir Sader é sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP - Universidade de São Paulo.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Fidel Castro admite erros da revolução, menos a traição


O líder cubano Fidel Castro, que governou Cuba durante 48 anos, admitiu nesta quinta-feira que a revolução cometeu erros, mas nunca traição, e destacou que "continua de pé" apesar da política de agressão dos Estados Unidos.

"Nós, revolucionários cubanos, cometemos erros, e continuamos cometendo, mas jamais cometeremos o erro de ser traidores", disse Castro, de 84 anos, que se afastou do poder há quatro anos por motivos de saúde.

"Nunca escolhemos a ilegalidade, a mentira, a demagogia, o engano do povo, a simulação, a hipocrisia, o oportunismo, o suborno, a ausência total de ética, os abusos de poder, incluindo o crime e as torturas repugnantes", afirmou.

Em um artigo publicado na imprensa local sobre a crise alimentar mundial, acrescentou que "talvez o principal erro de idealismo cometido foi pensar que no mundo havia uma determinada quantidade de justiça e e de respeito ao direito dos povos quando, certamente, não existia absolutamente".

Lembrando a crise dos mísseis (1962) e a invasão da Baía dos Porcos (1961), o líder comunista afirmou que a revolução "se mantém de pé" apesar da política mantida durante meio século por 11 presidentes na Casa Branca.

"Desapareceu a URSS (União Soviética), e a revolução seguiu adiante. Não foi feita com a permissão dos Estados Unidos, e sim submetida a um bloqueio cruel e impiedoso".

Fonte: JB Online

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Inscrições para o Fórum Social Mundial 2011 já estão abertas

Estão abertas as inscrições para a 11º edição do Fórum Social Mundial 2011 (FSM). O evento, que ocorre entre os dias 6 e 11 de fevereiro, será em Dacar (Senegal), no campus da Universidade Cheikh Anta Diop. 

O FSM 2011 vem sendo pensado como um espaço privilegiado para onde deverão convergir experiências acumuladas a partir da edição de 2009, que ocorreu no Brasil, com vistas à superação da crise econômica global iniciada em 2008.

As inscrições para o evento devem ser feitas através do site oficial do evento (www.forumsocialmundial.org.br). Há duas modalidades de inscrição: individual e organização.

Neste mesmo endereço já estão disponíveis informações gerais sobre a agenda do FSM. No primeiro dia do evento (6), ocorrerá a Marcha de Abertura. No dia 7 está prevista uma programação especial denominada "Dia da África". No terceiro e no quarto dia do encontro serão realizadas as oficinas, seminários e palestras. No quinto dia, serão realizadas assembleias preparatórias para o fechamento do Fórum, que ocorrerá no dia 11 de fevereiro com uma grande assembleia geral.

Voluntários - O Comitê Organizador do FSM 2011 faz um chamado especial para pessoas que desejam ser voluntárias no evento. Além do Senegal, serão selecionadas pessoas de países vizinhos (Gâmbia, Guiné, Guiné-Conacri, Mali, Mauritânia), mas também são esperados grupos que venham da Europa, América, Ásia etc. Os interessados serão chamados prioritariamente se tiverem fluência em francês e/ou inglês. Para aqueles que não residem em Dacar, o Comitê não poderá arcar com despesas de passagem e hospedagem.

O comitê organizador preparou uma lista dos hotéis e outros tipos de hospedagens (apartamentos mobiliados, pousadas e casas de família). No site do evento encontra-se disponível uma lista de alguns hotéis, onde o participante poderá fazer sua reserva diretamente com a instituição. A Comissão também está negociando tarifas para grupos e identificando famílias que desejem receber participantes.

Edmilson Freitas com Portal do FSM

sábado, 20 de novembro de 2010

Fidel Castro e o perigo dos erros

Em uma reunião com estudantes, o líder cubano afirmou que o sistema político cubano pode autodestruir-se, mas não pode ser destruído pelos Estados Unidos, e se pôs à frente do novo plano econômico do governo de seu irmão Raúl.

A reportagem é de Gerardo Arreola e está publicada no jornal mexicano La Jornada, 18-11-2010. A tradução é do Cepat.

Fidel Castro ratificou suas opiniões de que o sistema político cubano pode autodestruir-se e que a liderança da ilha cometeu “muitos erros”, entre eles o de “acreditar que alguém sabia de socialismo”. O líder cubano participou, nesta semana de uma reunião com estudantes, exatamente cinco anos depois que, na Universidade de Havana, lançou uma advertência sobre a necessidade de reformas no sistema da ilha. “Hoje ratifico novamente” esse discurso, disse Castro.

O discurso na Universidade de 2005 incluiu um chamado à discussão sobre as mudanças que o país necessitava. O ex-mandatário repetiu uma grande parte daquelas palavras, coincidindo com a preparação do Congresso do Partido Comunista, que terá como único ponto de debate a reforma econômica implantada pelo presidente Raúl Castro.

Fidel não se referiu explicitamente ao Congresso nem à linha oficial. Contudo, de seu discurso original de 115 páginas escolheu parágrafos que repetiu, e que taticamente mostram pontos de convergência com a reforma em marcha. Raúl Castro disse na semana passada que as ideias de seu irmão “estão presentes em cada um dos encaminhamentos propostos” para uma nova política econômica. O ex-presidente, de 84 anos, se declarou surpreso com “a atualidade das ideias expostas que, cinco anos depois, são ainda mais atuais que naquela época”.

Depois do discurso de 2005 não houve nenhuma discussão nacional. Apenas alguns discursos no Parlamento e um livro com entrevistas de intelectuais. Em julho de 2006, Fidel caiu enfermo e cedeu o poder inteiramente a Raúl, que relançou a ideia das mudanças em julho de 2007.

Em sua seleção de ideias, Fidel Castro repetiu esta semana as seguintes:
— “Este país pode autodestruir-se por si mesmo; esta revolução pode ser destruída, mas quem não pode destruí-la hoje são eles (os Estados Unidos); nós, sim, nós podemos destruí-la, e seria culpa nossa”.

— “Uma conclusão que se tirou ao final de muitos anos: entre os muitos erros que cometemos, o mais importante erro era acreditar que alguém sabia de socialismo, ou que alguém sabia como se constrói o socialismo”.

— “Lhes fiz uma pergunta, companheiros estudantes, que não esqueci, e quero que vocês também não a esqueçam nunca, mas é a pergunta que deixo aí diante das experiências históricas que houve, e lhes peço a todos, sem exceção, que reflitam: pode um processo revolucionário ser irreversível ou não? Quais seriam as ideias ou o grau de consciência que tornariam impossível a reversão de um processo revolucionário?”

— “É muito grande o poder que um dirigente tem quando goza da confiança das massas, quando confia em sua capacidade. São terríveis as consequências de um erro daqueles que tem mais autoridade, e isso aconteceu mais de uma vez nos processos revolucionários”.

— “Necessitamos aplicar o máximo de racionalidade no salário, nos preços, nas aposentadorias e pensões. Esbanjamento zero. (...) Não somos um país capitalista, em que se deixa tudo ao azar.”

— “Subsídios ou gratuidades, só em coisas essenciais e vitais. (...) E com o que pagamos os custos? (...) Tudo está ao nosso alcance, tudo pertence ao povo, a única coisa não permissível é esbanjar riquezas de maneira egoísta e irresponsável.”

— “É apenas uma questão ética? Sim, é acima de tudo uma questão ética; mas, além disso, é uma questão econômica vital.”

Fonte: IHU Usininos
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